Minha infância foi caracterizada pelas apresentadores de programas infantis. Entre todas elas a que mais marcou minha infância foi a Eliana. A Xuxa sempre foi a apresentadora pop da Globo, que embora fosse a maior emissora do país sempre exibiu os desenhos mais chatos. Nisso, o SBT sempre foi imbatível.
O tempo passou e eu cresci, é assim que acontece com as pessoas desde que o mundo é mundo. As apresentadoras também mudaram, assim como o seu público. Umas mudaram tanto que até viraram crentes, dessas bem chatas, caso da Mara Maravilha, que depois provavelmente deve ter gravado um ou dois albuns gospeis cuja fama é desconhecida. A Xuxa saiu dos programas diários e matinais para um remendado nas manhãs de sábado, um de adolescentes nas tardes de domingo. A Eliana foi fazer programas, vespertinos, na emissora dos evangélicos, a Record, usando crianças explicitamente em músicas que satirizavam outros elementos da TV brasileira. A Angélica, foi criando seus programas cheios de altos e baixos e fato é que todas elas, apresentadoras, que ainda resistem na TV apresentam programas efêmeros para falar de coisas irrelevantes.
Embora atualmente eu ache as apresentadoras entendiantes, e por isso não me interesso por seus programas ou pelas coisas que elas têm a dizer, não as odeio, como muitas pessoas anônimas por aí declaram como se isso fosse motivo para se ter orgulho. Às vezes até as assisto as aparições das apresentadoras, mas por preguiça de trocar de canal ou por osmose. Foi isso o que aconteceu e assim assisti, depois de um tempo com maior atenção, a entrevista da Xuxa para o Fantástico. Notei também que durante a entrevista bombaram no Twitter os comentários criticando a apresentadora, o Fantástico ou a Globo. Porém, críticas destrutivas, efêmeras e sem profundidade, falavam de coisas sem importância, sobre a voz dela (que é bem peculiar), sua estética jovem apesar da idade mais avançada que possui, o apelo que a apresentadora tem com o público infantil e que os novos adultos, desprezam uma vez que já gostaram dela por isso e acham que criticando garantem que não serão mais aquelas crianças ingênuas e de mau gosto que gostaram da Xuxa, enfim.
É evidente que a Xuxa é criticável, porém toda crítica, independente de quem seja o homenageado, precisa ter uma relevância e um sentido claro. É asqueroso e nada moderno, continua sendo medieval uma vez que é insensível atacar, relativizar ou mesmo caçoar da apresentadora por ela ter sido abusada. É como se a Xuxa por ser branca, loura, rica e famosa, talvez até por ser inconveniente e parecer algumas outras coisas socialmente nada elegantes, merecesse passar pelo que passou. Isso é insensível e eu sei que já disse que insensível, mas deixa eu enfatizar isso, cacete!
Além disso, vejo essa mecânica se repetir também com as crianças anônimas e que por isso não irão se tornar pessoas bem sucedidas. E aí, quantas vezes os adultos tem tratado as crianças abusadas como merecedoras daquilo que passaram? É o mesmo que ocorre com as mulheres que são estupradas e diz que elas o foram porque quiseram ou deixaram. É o mesmo que ocorre principalmente com os homossexuais no Brasil com cada violência que sofrem e justifica-se serem eles os culpados por terem uma vida desviada para os padrões morais da maioria, por escolherem um comportamento que a sociedade é bem hostil, por agirem de uma maneira entendida como provocante.
Espero que nas zonas de guerra ninguém tenha a cidade destruída por mostrar o dedo médio para um tanque de guerra.
Ainda bem que temos ideias próprias e canais para publicarmos nossas opiniões de maneira livre e sem represálias. Contudo, é lamentável que o fato de se poder ter uma opinião tenha deixado o pensamento tão banal, uma vez que uma critica exige também responsabilidade, traduzida em um conhecimento claro sobre o que está sendo observado e do que as próprias ideias podem repercutir ou significar. Afinal, que propriedade alguém tem para falar da Xuxa por ela ser tosca quando a relativização que se faz do abuso sexual não tem nada de sofisticado ou elegante?
É
verdade que no guarda-roupas guardamos muito mais que roupas. Eu coloco ali papelaria,
perfumes e outros cosméticos, peças de computadores e etc. Mas o essencial
mesmo é guardar roupas. E com o tempo, trabalho, crediário nas lojas de varejo,
vamos comprando roupas. Usamos essas roupas até que um dia elas ficam
inapropriadas para o uso. Não, elas não ficam rasgadas, porém elas ficam
desbotadas, as cores perdem aquela vivacidade, o tecido não é mais elástico,
macio e assentado, coisas poucas, no entanto indesejadas em uma sociedade
estética e consumista.
Tudo
bem, eu não vou fazer aqui um discurso ambientalista ou anti-consumista.
Contudo quero falar sobre o benefício de se fazer uma limpeza no guarda-roupas,
pois a dinâmica de comprar roupas, usá-la até o dia que achamos que as usamos
demais e que elas não são tão confortáveis e bonitas empanturra nosso
guarda-roupas. Limpá-lo faz perceber que guardamos muita coisa às quais somos
apegados, mas que realmente não precisamos e que quando tiramos dali abrem
espaço para coisas novas.
Além
disso, tirar roupas velhas do guarda-roupas é um exercício de memórias e
sensações. Lembramos-nos dos dias que compramos aquelas roupas, o que fazíamos antes
ou depois, a que eventos fomos com aquela roupa, quem estava conosco, em que
consistia a nossa rotina por aqueles dias, lembramos-nos do que não tínhamos e
também do que perdemos, em geral bem pouco. Mas enfim. No meu caso, isso me
traz um misto de saudade e satisfação por ter chegado aonde cheguei hoje.
Também,
tirar roupa de um lugar requer tirar outras também, o que deixa certo rastro de
bagunça, portanto precisamos organizar melhor o espaço, criar novos critérios
de organização. Roupas para dias especiais passam a ser usadas para ir ao
trabalho e as roupas do trabalho servem para usarmos em casa naquele sábado
quente de se lavar o carro. Nesse, tira, muda de lugar, junta, separa, muda de
lugar outra vez, coloca, enfim, aproveitamos e encontramos outras coisas que
pensávamos ter perdido, por exemplo, R$60,00, ou o telefone daquele especialista
médico que pensamos hoje não ser mais necessário, por enquanto pelo menos.
As
roupas velhas, olhar para elas nos dá um misto de felicidade, pois pensamos
logo compraremos mais. Todavia também sentimos um pouco de egoísmo, pois temos
um apego sentimental por elas e até sentimos pena delas ou remorso. Porém, se
levamos para alguém que precisa mais, tranquiliza e recompensa saber que elas
terão uma segunda chance servindo para pessoas que, por falta de condição
talvez, não sejam tão efêmeras como nós.
E
assim, vai se uma mala de coisas velhas embora da minha vida. É bem verdade que
eu deveria organizar mais meu espaço, tirar velhas coisas também, não só
objetos, mas memórias, costumes, pessoas e tudo mais.
As contas do começo do ano logo viriam bater
a minha porta e dessa vez, mais altas do que nunca antes eu já paguei. Por
outro lado, eu havia trabalhado longas horas esse mês, era de esperar um
salário que seria pelo menos o dobro do que eu recebia antes. Mais não, logo vi
via internet o meu contra cheque e como assim, R$800,00? Isso não pagaria nem a
fatura do cartão de crédito, o que dirá as outras coisas. Mesmo assim veio a ordem, precisa
trabalhar mais aquele turno. Mas e o meu salário? O que importa, se não trabalhar
não recebe, disse alguém. E daí que eu tivesse trabalhando e recebendo
parcialmente o que me fosse de direito? Fiquei puto, fui trabalhar e quis
mandar todo mundo ir à merda.
Durante a noite não dormi nada, fiquei
pensando na cara dele querendo se vingar de mim. Deve que dormia feliz, com um
bom sono porque sabia que havia ter me coagido. Nem adiantaria eu contar algo a
alguém, ele também já havia cooptado todo o resto ao favor dele. Ético? Jamais,
e a gente fica pensando nela e na falta que ela faz. A solução seria ir embora
do país, ir para algum lugar mais sério. Mas e ele? Ficaria lá, numa boa por
mera vingança posando ainda de heróis para os analfabetos que gostam dele? A
raiva não passava e dormi mal.
Logo pela manhã, ao sair, verifiquei o volume na
caixa de correio e lá estavam os primeiros boletos. Santa Virgem Mãe de Deus, as
contas vieram mais altas do que nunca e o salário na conta não faria nem cócegas
naquele molho de papéis. Pensei, quem sabe eu vendo meu corpo, tem muita gente
que deseja dele usufruir, valeria alguns trocados, colocaria algumas contas em dia e quem
sabe também eu me divertiria. Loucura, eu não fico com qualquer pessoa, imagina
ter que fazer análise de crédito e demais atributos para deixar que alguém me
possua?
Quando cheguei ao trabalho, consolou um pouco
saber que não só eu, mas vários outros colegas também foram lesados por causa
daquele viado, filho de uma puta arrombada, que é isso que ele é. Ele e aquele
pau mandado dele. Ai que irritação e todo mundo sem saber o que fazer? Hein, e
as instituições deste país? Ah é, elas não valem nada e um sujeito daquele só
fez isso com a gente porque pensou que iria escapar ileso. Trabalho irritado,
pensando o tempo todo no maldito do salário? E se eu ligasse para os meus
credores e explicasse a situação, refinanciasse as dívidas? E se eu fosse à
televisão ou ao rádio, ou quem sabe aproveitasse as redes sociais? Porém a
televisão e o rádio acham que o que aquele cachorro e trombadinha fez algo
correto.
Os dias passando, a raiva aumentando conforme
chegavam os novos boletos e suas cifras enlouquecedoras. Aquilo será pressão
psicológica? Alguém deve ter lido a Arte da Guerra ou O Príncipe e estava
fazendo tudo aquilo de propósito para controlar a mim e aos colegas pelo medo.
Deveria fazer alguma coisa, ah sim, isso é verdade. Mas o que eu deveria fazer?
Vejamos.
Liguei para a sala dele e disse que para a
secretária que eu era o assessor de um amigo de infância e colega de profissão,
de outro estado é claro. Inventei uma história cafona, até bonita, pena ser
mentira e para a minha surpresa e sorte, a bobona da secretária acreditou e me
passou o endereço exato da casa dele. No final de semana fui a casa do meu avô,
uma sítio, fui até o celeiro e vasculhei umas prateleiras altas, achei uma
caixa de metal e ela estava lá, escondida, desde o meus 14 anos, que foi quando
meu avô me mostrou o que era e onde a guardava. Não queria que ninguém visse ou
soubesse daquilo, usasse somente, quem sabe em um estado de sítio. Tudo bem.
Na segunda feira, durante a tarde, inventei
uma dor de cabeça, peguei um atestado médico e liguei avisando que não
compareceria no turno da noite. Às seis horas da tarde fui à sua casa, numa rua
bucólica de um bairro clássico de Goiânia, logo o vi virando a esquina e me
escondi atrás de um cinematográfico arbusto do vizinho. Ele se aproximou do
portão, enquanto procurava as chaves naquela pasta cheia de documentos imorais,
me aproximei tão silenciosamente como um gato de rua em busca de uma barata de
esgoto. Seus olhos ficaram arregalados, quando lhe encostei a revólver e disse
para não fazer escândalo algum, abrir o portão e entrarmos sutilmente. Ele, que
sempre soube que entre ele e eu existia uma diferença de poder gigantesca, tanto
é que ele aproveitou disso para me chamar de vagabundo e me fazer dever à
praça, obedeceu e com movimentos lentos, mas aflitos, abriu o portão, entrou
junto comigo e o fechou.
O portão trancado, afastei-me e o mandei
seguir e abrir a casa, ele foi até a porta dos fundos e abriu. Entramos pela
área de serviço, abrimos a porta da cozinha, arrumada e limpa, com algumas
panelas de aço sobre a pia. Devo ser sincero e confessar que naquele momento
pensei em me arrepender, parar com tudo aquilo e dizer que eu só queria
conversar, aquela cara de queijo branco era de cortar o coração. Bem, mas me
lembrei que aquilo era uma cascavel como diz a cultura popular, um lobo em pele
de cordeiro, que me agradeceria pela piedade, diria que me ajudaria, mas que no
entanto logo daria um jeito de mandar a polícia me pegar, fazer todo um terror
psicológico em minha cabeça e me matar assim como em Tropa de Elite.
Tropa de Elite, terror psicológico, barganha,
medo? Tive uma ideia! Mandei-o parar sua marcha fúnebre, caso contrário
soltaria o gatilho e a munição entraria diretamente pelo cérebro dedicado à
maldade dele. Vi aquelas lindas panelas de teflon da Tramontina e disse que ia
atirar, puxei o gatilho e derrubei várias delas no chão fazendo um barulho
enorme. Ele se imaginando ferido fatalmente se jogou ao chão para viver seus últimos
momentos em agonia. Oh, que dó, que dó, que dó, que dó! Chutei-lhe os cocos e
mandei sentar-se na mesa cozinha de frente para mim. Ele me olhou e começou a
falar, para conversarmos, tentar se justificar pelo injustificável! Joguei um
copo de vidro na cabeça, que lhe deixou uma mancha roxa e ligeiramente tonto, e
mandei calar a boca!
Com a arma ainda apontada para ele olhei em
volta, aquela decoração da classe média alta, ou seja, fingindo ser erudita e
cult. Mandei-o o levantar e me mostrar a casa. Ele foi andando a frente,
evidentemente, me falando sobre os retratos de família, sobre as lembrancinhas
de casamentos, batizados, formaturas e inaugurações de hipermercados. O
telefone e tocou e pediu para que atendesse com naturalidade, coloquei o
revolver em sua cabeça e ele começou a falar com sua afilhada calmamente e
dizendo que depois lhe levaria um bombom, mas que naquela hora estava muito
ocupado. Desligou o telefone e me senti meio que em um filme de Tarantino, eis
que começo a assoviar The Killer Song.
Subimos para o andar de cima, ao passar pela
escada perguntei-lhe se já havia assistido Senhora do Destino. Disse-me que era
culto, não gostava de cultura de massas, que dava valor ao conhecimento em
detrimento da alienação. Retruquei perguntando se é valor ao conhecimento quem
corta salário de professor por pura vingança.
Entramos em seu quarto, vários travesseiros
importados enchidos com penas de ganso, presente dos amigos importantes. Mandei
que calasse a boca de um jeito pseudo-sereno, senti o meu sangue ferver! Abri a
penteadeira, quanto perfume caro, peguei o Hugo Boss e disse “Beba isso!”. Ele
me perguntou porque e eu apenas olhei para o frasco e para o rosto dele depois!
Ele bebeu até que vomitou o perfume e tudo mais que estivesse em seu estomago.
Após recuperar o fôlego me disse que viu em uma novela da Glória Perez uma
menina viciada em drogas bebendo perfume em uma crise de abstinência (será que
ele estava falando da Mel de O Clone?). Achei contraditório alguém que não
gosta de novela falar a respeito de uma.
Veio-me o clipe de Rolling In The Deep na
cabeça, pensei que seria divertido jogar pratos contra a parede, mas ao invés
disso, jogar os perfumes dele contra a parede. Então comecei a jogar aqueles
frascos italianos, franceses, ingleses cantarolando a parte do back vocal que
diz sobre desejar nunca ter conhecido o eu lírico da musica da gordinha
inglesa. Olhei para sua cara de tédio enquanto segurava um Yves Saint Laurent e
disse-lhe para ficar na parede na qual eu projetava aquelas fragrâncias
deliciosas. Ele disse me por favor como se fosse um oriental nos filmes do Jack
Chan e respondi dizendo apenas que minha paciência estava acabando. Juro que
até pareceu ensaiado quando o vizinho colocou Rolling In The Deep para tocar
bem alto enquanto eu lhe fazia chorar com a dor, o terror, a aflição e os
sangramentos intensos. Falando assim parece que não foi desumano, mas foi! E o
melhor de tudo é que o álcool dos perfumes lhe fazia arder os sangramentos.
Cansei-me daquilo. Parei e fiquei olhando os
travesseiros! Pulei em pé sobre a cama e comecei a rasgar tudo cantando sobre
os dias de cão enquanto ouvi mentalmente Florence and The Machine. Ele saiu
correndo pela porta, fui atrás no mesmo instante e o vi descendo as escadas,
até o momento que tropeçou e terminou seu trajeto rolando. “Lá lá lá uei lerê lereiiii,
lá lê lerê lerei, é a vida deste meu lugar é a vida”. Parei no alto da escada,
apontei lhe a arma enquanto eu o via gemendo de dor e falei sobre a música de
abertura de Senhora do Destino, novela na qual Nazaré Tedesco matava seus
inimigos derrubando-os na escada.
Desci e outra vez cantarolei Encontros e
Despedidas. Perguntei-lhe onde estava o Dorflex e ele me respondeu que na
cozinha. Mandei ficar de pé se não houvesse quebrado nada. Fiz assim para lhe
dar alguma esperança. Ele levantou-se e mandei subir a escada e ele perguntou
sobre o Dorflex, respondi que ele não precisará mais. Ele subiu e eu logo
atrás. Disse-me que precisava ir ao banheiro, como se eu não tivesse
desconfiado que ele temia que eu o derrubasse na escada. Ele entrou no banheiro
e eu fui logo atrás. Olhamos juntos o espelho, ele abriu a torneira, fechou os
olhos ensanguentados e dei-lhe uma coronhada na cabeça. Ao desequilibrar-se, bati
a cabeça dele quatro vezes no espelho do lavatório, na segunda e quarta
consegui danificar o nosso reflexo, além de seu rosto mais do que nunca. Parei
para respirar e quando ele abriu a boca para me dizer algo acertei-lhe o nariz
na torneira de R$1200,00 comprada na Leroy Merlin, conforme disse-me um
conhecido que temos em comum. Dentro da bacia do lavatório notei três
fragmentos brancos, eram dois incisivos e um canino.
Parei para respirar, nunca havia feito aquilo
e sentia um misto de ódio efervescente, desses que queima todo nosso corpo
tamanha a ira, com felicidade porque não sabia que coisas de filme e novela
pudessem dar tão certo. Olhei para o vaso sanitário e disse que lhe daria uma
aula de Geografia ao explicar sobre o Efeito de Coriolis. Ele estava quase
desacordado arrastei-lhe até a beirada do vaso e bati-lhe a testa na quina. Ele
conseguiu segurar-me pelos cabelos, enfiei sua cabeça dentro da louça, apertei
da descarga e vi o azulado do desinfetante tornar-se roxo devido o sangue
vermelho que ia surgindo por ali. Meus cabelos doíam muito, mas permaneci firme
por segundos, até a hora que ele realmente começou a lutar pela vida! Puxei-lhe
e bati sua cabeça outra vez, desta vez na parede. Afastei-me, peguei a chave do
banheiro, a arma e o tranquei naquele ambiente. Atirar nele definitivamente eu
não teria coragem, mas deveria matá-lo logo.
Desci até a cozinha, peguei algumas das
panelas, enchia-as de água e levei-as ao fogo. Procurei na área de serviço algo
que pudesse amarrá-lo, no entanto não existia. Peguei uma faca e cortei os varais,
feitos com cordas de nylon. Peguei um pano de prato na cozinha e subi com as
cordas para o banheiro, cuidadosamente destranquei a porta, ele estava no chão,
havia sujado inclusive as toalhas Buddemeyer com seu sangue corrupto, vingativo
e nojento do sudoeste de Goiás. Estava fraco e agonizando.
Embora tivesse levado vários golpes, um deles
me deixou o nariz sangrando, consegui amarrar-lhe as mãos e os pés e amordaçar
lhe. Arrastei para fora dali, usando as técnicas de imobilização que aprendi no
curso de primeiros socorros, levei-o até o topo da escada, de onde o joguei, a
despeito de seus grunhidos de dor e desespero. Diz o ditado que vaso ruim não
quebra, e realmente não quebra. Ele permanecia vivo e respirando. Novamente o
arrastei até a cozinha.
Parei, sentei-me na cadeira. Olhei tudo e
volta e pensei que estivesse louco e em um pesadelo. Como assim, eu matando uma
pessoa? Eu seria preso, não porque este país é justo, mas sim porque matei o
colega dos meus algozes porque esse tal colega ter me filha da putado. Lembrei-me
do contra cheque, das suas falas na televisão, dos jornalistas comprados por
ele. Vagabundo. Joguei as panelas com água quente sobre o seu corpo e ele grunhia,
gritava, debatia, fugia feito um minhôco para longe de mim e daquela água efervescente
do chão. Em vão, pois eu lhe fazia um franco pele vermelha derrubando a calda a
100° C. A água acabou, sua pele estava bem vermelha e ele conseguiu me xingar
de viado.
Fui à área de serviço e enchi uma bacia com
água, o arrastei até ali e ele parou de se mexer. Acho que teve um desmaio,
aproveitei e enfiei a cabeça dentro da água e vi sair bolhas de ar de sua boca ensanguentada.
Continuei, ele voltou a se debater e eu me mantive forte, segurei sua cabeça
continuamente dentro da água por uns dez minutos, mesmo após ele não se mexer e
nem sair mais bolhas. Pensei então, missão cumprida. Mas lembrei-me que ele me
chamou de viado, abri-lhe a calça e assim como em Tropa de Elite eu enfiei a
vassoura e também o rodo, o esfregão e a pá de lixo, juntos! Fui ao jardim e
para fechar com chave de ouro, eu trouxe a mangueira, enfiei no conjunto e abri a torneira fazendo lhe uma chuca permanente.
Revirei seu quarto, procurei os dólares, os
euros, o dinheiro, joias e relógios, tomei um banho. Peguei minhas coisas e fugi
em seu carro até uma cidade da fronteira, localizada no estado vizinho.
Abandonei o carro, viajei de ônibus até Chile, atravessando o Paraguai. Em
Santiago embarquei para Madrid, comprei um notebook e viajei no dia seguinte
para Pequim, de onde embarquei para onde estou atualmente, o Tibet. Como já
estou ciente que Interpol virá me buscar, amanhã mesmo me mando daqui e escrevo
uma carta para a Anistia Internacional suplicando proteção.
P.S.: É evidente que isto é uma obra de
ficção, mal feita diga-se de passagem. Mas uma maneira de expelir meu ódio e
minha indignação pelo secretário da educação de Goiás, Thiago Peixoto, e o
governador do estado, Marconi Perillo, a minha vítima, terem cortado meu ponto
por uma greve que é justa e legal e que por isso a lei proíbe corte salariais. Isto, portanto, é uma obra de humor e prefiro que permaneça assim.
Após
1964 houve um golpe de Estado no Brasil e os militares tomaram o governo. Nos
anos seguintes houve o enfraquecimento de instituições, leis e princípios.
Liberdades foram caçadas, entre elas a política, a de expressão e a de
imprensa. Os militares sucatearam o ensino público, endividaram o país,
acirraram as desigualdades sociais e produziram uma série de outras catástrofes
sociais, econômicas e políticas. Os militares estavam a serviço de preceitos
capitalistas e sustentados em cima de uma moral conservadora. Fizeram um
desserviço ao país, nunca pagaram por isso e tentam a qualquer custo impedir que essa
história seja investigada.
Opostos
a desordem da Ditadura Militar, surgiram naquele tempo vários grupos de
professores, estudantes, jornalistas, artistas, religiosos, enfim, que em geral
eram alinhados aos preceitos socialistas e que defendiam a liberdade e a
justiça social. Nestes grupos estiveram presentes várias minorias, favoráveis às
modificações do status quo, e que mais a frente fundaram partidos de esquerda.
Quando
acabou a ditadura e a democracia ganhou espaço, esses partidos ganharam mais
poderes políticos e produziram debates e avanços no concernente a muito das
demandas. Em 2002, um deles, o Partido dos Trabalhadores, elegeu Luís Inácio
Lula da Silva presidente da República tendo como grande eleitorado os homossexuais.
De Lula se esperou avanços sociais. Porém as alianças com conservadores fizeram com
que o PT repetisse problemas clássicos de corrupção, administração e avançasse
pouco em assuntos até então esperados, como direitos civis para os homoafetivos.
No
ano de 2010 o ideal socialista surgiu novamente nas eleições através de outros
partidos menores e no discurso do PT, que conseguiu eleger Dilma Rousseff
presidente. Novamente uma parcela significativa do grupo de pessoas
homossexuais ajudou a eleger a candidata do PT esperando outra vez ter as
demandas contempladas. Contudo, já nos primeiros meses, Dilma, e o socialismo
que foi lhe atribuído, demostrou-se antagônica às requisições da minoria.
É
bem verdade que muitos socialistas acusam o PT, Lula, Dilma e seus parceiros de
não serem mais socialistas, entre os motivos está esse posicionamento conservador.
Porém, para quem espera que socialismo seja tipicamente progressista precisa
assistir Antes do Anoitecer, filme sobre a biografia do escritor cubano e
homossexual Reinaldo Arenas, no qual é mostrado que um projeto socialista mais
radical, como o cubano, não é razão para se pensar que um país socialista será
um paraíso para homossexuais.
Arenas
nasceu em Cuba quando o país ainda era uma ditadura capitalista, desigual e
desde já conservadora. A Revolução Socialista, antes vista com desconfiança por
uma parcela da sociedade cubana, trouxe a promessa de uma vida mais justa e
livre. Porém com o passar do tempo e o firmamento do regime do socialista o
escritor, e os amigos que o cerca, sentiu o recrudescimento do governo para com
os homossexuais.
Algo
que até então era visto como uma fanfarra inócua passou a ser visto como uma
subversão a Revolução Socialista. Por quê? Para o regime de Fidel Castro e
afins, a homossexualidade é um comportamento descompromissado com o projeto de
sociedade almejado, mais do que isso, um comportamento do império capitalista
americano. Vemos portanto a truculência, condenações sumárias e prisões em
situações degradantes, coisas que revoltam qualquer um que tem anseio de
justiça e de humanidade mínimo.
Em
Cuba, tanto como em qualquer ditadura, tanto quanto em qualquer governo
burguês, é criado um ideal comum e maior de projeto social, cujo qual é
necessário defender dos inimigos que são eleitos por quem estar no poder. Esse projeto social justifica
que algumas demandas sejam colocadas de lado ou simplesmente reprimidas.
Será que temos então semelhanças com o governo de Dilma Rousseff e as suas justificativas e de seus
defensores, inclusive homossexuais, para defendê-lo e levá-lo adiante, posando
em fotos para Igreja e pastor, dando ministério e chorando em posse de pessoa abertamente
contra os homossexuais? Abertamente contra os homossexuais Dilma Rousseff e o PT não são, mas que por um ideal considerado maior de governo eles não se importam com esse grupo, isso é verdade!
Enfim, é isto, se homossexuais quiserem cidadania, deverão aprender que devemos ser
suprapartidários, afinal de contas, nenhum deles por ser alguma coisa tem um
compromisso fechado conosco, preceitos contrários, ah, isso eles tem.
Aqui no meu querido Rio Grande do Meio, conhecido pelo resto do Brasil como Goiás, os professores são desvalorizados assim como no restante do país. O governador querendo ganhar a próxima eleição, enganar a opinião pública mudou o plano de cargos do estado, incorporando outros direitos ao salário base para dizer que pagou o tal piso. Os professores, evidentemente, não gostaram e provavelmente nas próximas semanas eu e minha classe entrará em greve.
Um dos deputados que votaram contra os professores está sendo ferrenhamente criticado pelos professores e não gostou nada disso. Para desqualificar os professores deu-nos a seguinte aula:
É querido deputado, só mesmo quem não deu valor ao professor para pensar que exigimos se escreve com J de jumento.
Bela profissão a minha e belo políticos os que meus conterrâneos escolhem.
Eu estava na Avenida Beira-Rio em Florianópolis-SC quando 2012 chegou. Chovia muito naqueles dias e era como se toda aquela água que caia do céu estivesse me lavando, levando embora 2011 e me deixando novo para receber 2012. Poético? Talvez, mas eu achei bonito, pois chuva, mesmo em Florianópolis-SC, onde fui passar minhas férias, é algo ainda assim muito agradável.
Para 2012 não fiz grandes planos, a não ser realizar o que não consegui em 2011. Novo mesmo tracei junto com meus pais que iremos reformar a casa. Quero muito um quarto para colocar coisas da escola, computador, livro e esvaziar outras partes da casa. Quero que o quarto que durmo fique mais vazio e sobre mais espaço para eu olhar para as paredes. Tracei também como meta abaixar as minhas contas, mas uma coisa é certa, a fatura de janeiro de 2012 vai chegar arrebentando.
Profissionalmente, acho que este será um ano neutro, o governador frustrou o plano de carreiras do Estado, virar mestre ou doutor para dar aula no estado de Goiás é algo que definitivamente não vale a pena. Para eu que cheguei agora, até que a mudança é bem vinda pois meu salário vai subir alguma coisa. A longo prazo não, terei que trabalhar durante 30 anos para ver se meu salário talvez chega a dobrar. Tosco! Vou estudar para concursos públicos mesmo, uma hora atinjo a boa forma e passo em algum que resolva minha vida.
Agora com relação ao coração, desde o último final de ano alguém me causa um frisson, porém o melhor de tudo é saber que eu também lhe causo frisson. Estamos namorando? Ainda tenho aquela insegurança, um medo de não dar certo e lá na frente eu me ferir. Ele também! Mas já posso ouvir aquelas baladas de amor da playlist que eu fiz, com certeza. Então "Que não seja imortal posto que é chama, mas que seja infinito enquanto dure."
Esse ano começou com Firework da Katy Perry para mim, ainda não sei com que música ele vai terminar daqui dois dias e como vai começar 2012. Bem, independente é inegável que este foi o ano, mudou muita coisa na política, na economia e na minha errante vida. Os países mais ricos não estão mais ricos e não tem tanto poder assim. Eu, estou com um rosto novo, emprego público, muitas dívidas e um aumento salarial questionável no começo do ano. Agora estou em Florianópolis, cheguei ontem, tempo nublado e só permitiu ver o mar quando em altitudes mais baixas.
Depois de quatro anos conversando via internet, finalmente conhece o Mário e a Região Sul. Agora hoje, tem Sol e vamos sair para ver o mar. Ótimo, comprei uma Fujifilm com 18X de Zoom e um monte de recursozinhos que eu não sei usar. Preciso usar filtro solar e comprar um monte de coisas ainda para levar para a pova de GYN. Ainda bem que tenho mais 10 Kg de bagagem que posso levar para trás.
Agora tem que decidir onde será a virada do ano, em lugar que custe a R$800,00 não dá e é lá que hight society que frequenta desterro vai passar. Bem, agora vou lá, pedir para o Sol me possuir. Um beijo.